A música ocidental deve à Igreja Católica algumas de suas mais bonitas e transcendentais composições. Parte significativa da música erudita surgiu para louvar a Deus e atrair novas "ovelhas" para o rebanho de fiéis católicos.

Antonio Vivaldi, que além de violinista virtuoso foi padre, dedicou parte da carreira prolífica no século 18 à música sacra. No Brasil do mesmo período havia Frei Jesuíno do Monte Carmelo, que além de pintor, escultor e arquiteto, também foi compositor.

De lá para cá, a Igreja Católica mudou — assim como a ligação entre o catolicismo e a produção de novos talentos da música clássica.

No Brasil, as transformações no perfil da religiosidade e no papel social das igrejas e templos pelo país deslocou o eixo, criando uma dinâmica nova: hoje, um número relevante dos músicos que entram nas orquestras do país vem de igrejas evangélicas.

No caso da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp), 80% a 90% de seus músicos estão ligados a igrejas pentecostais, diz à BBC News Brasil seu diretor musical e maestro titular, Cláudio Cruz.

A maioria vem da Congregação Cristã no Brasil (CCB), a segunda maior denominação pentecostal do país, com 2,29 milhões de fiéis ou 5,4% dos evangélicos, conforme os dados do último Censo.